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Brasil seria temido por Rússia e China se tivesse bomba nuclear, diz filho de Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro concede entrevista coletiva à imprensa em Brasília
© Foto : Wilson Dias/Agência Brasil
Filho do presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou nesta terça-feira que bombas nucleares garantem a paz e, caso o Brasil possuísse uma, poderia ser levado a sério pela Venezuela ou ser temido por Rússia e China.

"São bombas nucleares que garantem a paz. Se nós já tivéssemos os submarinos nucleares finalizados, que têm uma economia muito maior dentro d'água; se nós tivéssemos um efetivo maior, talvez fôssemos levados mais a sério pelo [presidente venezuelano Nicolás] Maduro, ou temidos pela China ou pela Rússia", declarou o parlamentar, citado pelo jornal O Globo.

A fala do filho do presidente brasileiro foi feita durante um encontro do parlamentar com alunos da Escola Superior de Guerra, entidade em que se formam militares do Exército, Marinha e Aeronáutica, na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

Ciente da fala polêmica, Bolsonaro ponderou que não há qualquer debate no Congresso Nacional no momento sobre uma eventual busca por armas nucleares. O Brasil é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, que conta com 189 nações. O país também integra o Tratado de Tlatelolco, assinado por todos os países da América Latina e Caribe em 1968, com exceção de Cuba, ratificado por Brasília em 2002.

Durante os anos 1970, os militares que governavam Brasil e Argentina ensaiaram uma corrida nuclear na região. Sob protestos dos EUA, o governo do general Ernesto Geisel (1974-1979) chegou a firmar um acordo nuclear com a Alemanha Ocidental, mas o desejo pela bomba acabou sepultado com o desmantelamento dos regimes militares nos dois países, nos anos 1980.

De acordo com Eduardo Bolsonaro, o Brasil teria muito a perder se tentasse perseguir a construção de uma bomba nuclear. Entretanto, ele não descartou que o tema possa ser discutido pelo Legislativo brasileiro no futuro.

"Esse assunto não é pauta nesse momento, eu sequer vejo debate nesse sentido. A gente sabe que, se o Brasil quiser atropelar essa convenção, tem uma série de sanções, é um tema muito complicado. Mas acredito que possa voltar ao debate aqui", avaliou o filho do presidente.

O parlamentar citou ainda Índia e Paquistão para defender o seu ponto de vista, destacando que o medo que cerca estes dois inimigos históricos ajuda a explicar como a paz na região.

"Paquistão e Índia, como é a relação dos dois? Se só um tivesse bomba nuclear, a relação não seria a mesma. Sou entusiasta dessa visão. Vão dizer que eu sou agressivo ou que quero tocar fogo no mundo, mas enfim. De fato. Por que o mundo inteiro respeita os Estados Unidos? Explodiram o World Trade Center, o que eles fizeram? Passaram por cima de tudo quanto é veto e invadiram o Iraque", prosseguiu.

Por fim, o deputado ainda criticou o fato de que o "politicamente correto" impedi-lo de falar abertamente sobre a possibilidade do Brasil entrar em guerra com a Venezuela, a fim de tirar Maduro do comando do país caribenho.

"Estamos tendo um problema com a Venezuela, e o politicamente correto me impede de falar algumas coisas, então tenho que falar que está tudo muito bem, que nós nunca entraremos em guerra e podem ficar tranquilos. É claro, é uma ironia, o que eu estou falando. Do lado de lá da fronteira tem um maluco associado a terroristas e ao narcotráfico. A gente sabe que, a qualquer momento, se isso daí evoluir para um quadro pior, que é o que ninguém deseja, quem vai entrar em ação são principalmente os senhores", concluiu, referindo-se aos militares.

22:09 14.05.2019 Sputnik

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